livro

Sua pele sem segredos

Editora Marco Zero

Trechos do livro

Cheiro de corpo

Cecê. Este termo, tão usado para definir o mau cheiro do suor, tem sua origem na década de 1940, em uma campanha publicitária do sabonete Lifebuoy. A campanha lançou a expressão “cheiro de corpo”, ou simplesmente “C.C”, para falar desse assunto incômodo. O anúncio mostrava pessoas tristes porque sofriam com o problema, e outras felizes porque usavam o sabonete e por isso estavam livres do mal e perfumadas como uma flor do campo. E você, sofre com isso?”

Acne. Infelizmente, ela existe

Entrei no Orkut e procurei a palavra “espinha”. Encontrei mais de mil comunidades relacionadas. O mesmo aconteceu com as palavras “acne” e “cravos”. Muitas comunidades levam no nome expressões como “eu odeio…”, “as malditas…” e outras do gênero. De fato, todos concordam que ter espinhas não é nada agradável. Mas o martírio tem solução e até cura.”

Calvície masculina

Eliseu foi um profeta escolhido por Deus. Poderoso o suficiente para separar as águas do rio Jordão. Conseguiu até curar lepra. Eliseu era calvo. Certo dia, enquanto subia uma ladeira, uns rapazes mexeram com ele, dizendo: “Sobe, calvo! Sobe, calvo!” Então, como podemos ler no Segundo Livro de Reis, capítulo 2, versículo 24, eis o que aconteceu:

“Eliseu, voltando-se para eles, olhou-os e os amaldiçoou em nome do Senhor. Imediatamente saíram da floresta dois ursos e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes.”

Acho que Eliseu tinha sérios problemas de aceitação da sua calvície. Assim, como ele, muitos homens incomodam-se com a questão. A diferença é que hoje existem tratamentos eficazes.”

Prefácio

Quem perdeu uma ou outra das colunas da dermatologista Lucia Mandel publicadas sob o título geral de “Espelho Meu” em VEJA Online, tem a chance agora de ler o conjunto da obra. Revisadas e atualizadas, as colunas foram reunidas neste livro. Para mim, que li todas elas na internet e as reli agora, a experiência continuou gratificante. Escrever não é fácil. Ponto. Escrever com clareza é muito difícil. Escrever com clareza, graça, correção gramatical e estilo como faz a doutora Lucia Mandel já é uma raridade. Usar essas habilidades para abordar periodicamente na internet, ambiente leigo e com tendência aos exageros, assuntos médicos da maior relevância para os leitores – a saúde e beleza da pele – é feito ainda mais notável. Como se verá ao cabo da leitura das colunas selecionadas para este livro, o resultado final obtido pela doutora Lucia é admiravelmente útil.

Nós de VEJA sabíamos dos riscos embutidos na empreitada quando a convidamos a manter uma coluna online. A internet tornara-se o meio ideal de propagação planetária desvairada e acrítica das mais absurdas terapias, drogas milagrosas e curas instantâneas para todos os males do corpo e da alma. Como a doutora Lucia faria para se impor sobre a maré montante de palpiteiros da internet, cada um mais convencido do que outro da eficácia dos conselhos médicos dispensados por meio de blogs, chats e grupos de afinidades? Ela se impôs. Desde a primeira coluna ficou evidente que o projeto seria um sucesso, o que se confirmaria semana após semana pela reação entusiasmada dos leitores.

Pena que este livro não traga também as perguntas suscitadas pelas colunas e as respostas dadas pela doutora Lucia. Muito se fala da relação médico – paciente, diálogo que muitas vezes pode ser decisivo para o desfecho satisfatório do tratamento. Nesse campo, o resultado do intercâmbio travado através do site da Veja Online pela doutora Lucia Mandel e seus leitores merece um segundo livro. Fica aqui a sugestão. As respostas às questões que lhe são enviadas pelo site da revista e as próprias colunas aqui publicadas são uma aula. Não apenas de civilidade, mas uma lição de como diminuir as aflições dos leitores aumentando seu grau de conhecimento das complexas interações que produzem as doenças – e, dessa forma, aproximá-los de um profissional médico ao mesmo tempo em que se valoriza o conhecimento científico.

A ênfase na prevenção e a transparência total sobre as imensas possibilidades mas também os limites das intervenções cosméticas nos cuidados com a pele são, a meu ver, os grandes méritos desta obra. Os leitores, leigos e médicos, vão encontrar no livro reflexões originais e sábias sobre o ofício de dermatologista, o significado da beleza e a perplexidade humana diante do inevitável mas nunca totalmente assimilado surgimento dos sinais visíveis do processo de envelhecimento.

Eurípedes Alcântara
Diretor de Redação da revista Veja
Março de 2010